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Boris Yeltsin b.1931

Em Julho de 1991, Boris Yeltsin foi colocado no poder pelo povo, elegendo-se Presidente da Rússia. O povo queria um líder forte que o acompanhasse na transição do comunismo à democracia.  Yeltsin parecia ser a pessoa indicada para realizar esta importante tarefa. Mas dois anos depois, a Rússia e Yeltsin, entraram em crise.  Alexander Korzhakov, guarda-costas de Yeltsin durante oito anos, lembra que o Presidente estava tão deprimido que pensava que sua vida não tinha mais sentido. A versão de Korzhakov dos eventos apontava que paras as tendências suicidas do Presidente.

Durante sua carreira política, Yeltsin não sofreu apenas de depressão, mas demonstrava acentuadas mudanças de humor que denotavam sintomas da ciclotimia – predisposição a mostrar alternâncias de comportamento. Estas mudanças extremas de humor pareciam comandar o comportamento de Yeltsin. Em 1991, esta mudança pôde ser notada durante um evento público em que os comunistas tradicionais armaram um golpe contra o líder soviético Mikhail Gorbachev. Yeltsin liderou as massas e subiu em um dos tanques que entravam em Moscou para destruir o levantamento. Este ato heróico demonstrava todas as características de quem sofre de ciclotimia, numa a tendência a colocar a si mesmo e os outros em risco.

Apesar de ser aclamado como herói, Yeltsin entrou em depressão e se retirou da vida pública. Mas o pior momento vivido por ele foi em 1993 ao enfrentar a morte de sua mãe e uma revolta no Parlamento. O homem que era defensor da democracia ordenou que a tropas atirassem no Parlamento, matando mais de 100 civis. Depois deste ato, Yeltsin voltou a beber vodca, sua bebida favorita, e ela começou a fazer parte da sua rotina.

Enquanto isso, seu vício da bebida começa a chamar a atenção – numa cerimônia que marcava a saída das tropas russas de Berlin oriental, Yeltsin pegou a batuta e começou a dirigir a orquestra embriagado. Mas o alcoolismo de Yeltsin era ainda mais sério e podia colocar sua vida em risco.

Em setembro de 1994, Yeltsin havia saído de uma reunião nos Estados Unidos e voava em direção ao Aeroporto Shannon para conhecer o Primeiro-ministro escocês Albert Reynolds. Como não pôde sair do avião, o mundo pensou que Yeltsin estava embriagado, mas a verdade era que ele tinha sofrido um infarto.

Com sua moral abalada, Yeltsin iniciou uma brutal e desastrosa guerra contra a Chechênia, onde milhares de pessoas morreram. Sua popularidade e o seu coração começaram a declinar. Mas seus assessores tentaram esconder a verdade sobre a sua real condição mostrando fotos falsas onde ele aparecia trabalhando no seu escritório. Durante as eleições de 1996, Yeltsin já tinha sofrido seis infartos. O principal rival do Yeltsin era um comunista tradicional, mas os novos empresários preferiam que Yeltsin estivesse no poder, mesmo doente, do que aceitar a volta do comunismo. Yeltsin, mesmo debilitado, foi capaz de aparecer cinco minutos em uma inauguração e ganhar as eleições.

Infelizmente, os grandes empresários que apoiaram Yeltsin queriam que ele administrasse o país de acordo às suas conveniências. Desta forma, ele terminou criando uma nova e corrupta economia capitalista, baseada em esquemas de privatização fraudulentos. Nesta mesma época, Yeltsin foi submetido à sua quinta operação para a implantação de um marca-passo. Mesmo assim, ele se recusava a deixar o poder e a bebida.

Em 1999, ele surpreendeu a reunião da OTAN ao anunciar,  ¨não oficialmente¨ e com a voz trêmula, que as armas nucleares russas não atacariam mais os países da OTAN – ninguém entendeu o conteúdo da sua declaração. A equipe russa, envergonhada, teve que desmentir seus comentários.

No reveillon de 1999, Yeltsin renunciou. Mesmo assim, ele teve um final trágico. Boris Yestsin chegou ao poder com grandes intenções, mas não conseguiu realizá-las. Ele ficou preso num ciclo de depressão, bebida e doença que arriscou o futuro da Rússia. No entanto, foi graças à personalidade e a força de Yeltsin que a Rússia pôde dar um grande salto, passando do comunismo à democracia.