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Das três grandes civilizações ameríndias do momento da conquista, os maias foram os que desenvolveram o sistema de comunicação por sinais mais sofisticados. Os incas não tinham a escrita, praticando um sistema contável e de memorização denominados por nós de quipo. Os astecas desenhavam pictogramas menos abstratos que os maias. Por outro lado estes últimos praticaram os princípios de uma escrita fonética. A escrita maia tem afinidade com o sistema desenvolvido pelos zapotecas.
Os hieróglifos formavam um sistema complexo de escrita e linguagem gráfica, integrado por mais de setecentos signos, especiais para representar qualquer classe de pensamento. Eles seguiam um desenho altamente elaborado, e deviam ser feitos com exatidão, a partir do desenho de um quadrado com as bordas arredondadas, com elementos cravados no interior, acompanhados por uma série de signos localizados no exterior.
Eles atribuíam poderes mágicos aos seus desenhos e pictografias. A sua execução era um modo de compreender o cosmos e a essência dos seres vivos, inanimados e imaginários.
Eles escreviam sobre diferentes materiais: pedra para os relatos dinásticos, papel para as profecias, astronomia e calendário. Eles usavam conchas marinhas, cerâmica para os relatos mitológicos, jade e madeira, metal e osso.
Cada material cumpria uma função diferente. Nos “livros de casca” eles tentavam inscrever o sentido do tempo. As esteiras e os monumentos serviam para que os reis afirmassem suas relações com os antepassados, explicitando a organização social e legitimando seu poder através da narração de grandes batalhas e conquistas. As “escadarias hieroglíficas”, como as do templo de Copán, vinculavam a ascensão e a pisada de cada degrau com o lugar social de determinados defuntos, e com o tratamento cerimonial que os mortais eram obrigados a conceder.
Ao contrário de outras civilizações, não foram encontradas entre os maias escritas estritamente administrativas, nem registros contáveis.
Os escrivãos tampouco se dedicaram a questões materiais. Todas as frases que foram traduzidas se referem a assuntos dinásticos e sagrados.
Em A Relação de Coisas de Yucatán, Diego de Landa anotou o nome dos dias e dos meses. Como não existia um “alfabeto maia”, tal cronista pediu aos seus informantes uma série de equivalências com o alfabeto espanhol, pensando que lhe diriam as “letras”. Em troca, os indígenas deram a transcrição de palavras de som parecido com os nomes das letras espanholas. Por exemplo, ac ou “tartaruga” para a letra “a”, ou be, “caminho, viagem”, para a letra “b”.
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