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Os 10 Países que Mais Consomem Energia Nuclear
Imagine gerar toda a eletricidade que desejar por metade do custo do carvão, um quarto do custo do gás natural, um décimo do custo do petróleo e gerando emissões insignificantes de gases-estufa? Você aceitaria um modelo energético tão tentador? E se os custos iniciais fossem altíssimos, houvesse desastres raros, mas espetaculares, e os resíduos fossem perfeitos para fabricar armas de destruição em massa? É claro que estamos falando da energia nuclear, e para muitos países, especialmente os europeus, a resposta é “sim”. Segundo Hans-Holger Rogner, coordenador de Estudos Econômicos da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) da ONU, construir usinas nucleares é realmente muito dispendioso, mas seu funcionamento é barato. Depois de construídas, elas são verdadeiras “máquinas de fazer dinheiro”, afirma. Uma tentação para os países pobres. Entretanto, mesmo os países ricos estão reavaliando a utilização da energia nuclear com o objetivo de reduzir as emissões de gases-estufa. “A energia nuclear não é a solução para as mudanças climáticas”, afirma Rogner, “mas pode contribuir para isso”. O analista do Greenpeace, Jim Riccio, discorda. “A energia nuclear demora demais para engrenar, é absurdamente cara, e como é possível ter o mesmo resultado com fontes eficientes e renováveis de energia, coisas que não ameaçam nossas famílias, casas e comunidades, e certamente não têm um custo proibitivo, por que optar pela via nuclear?” Por que “renovável” não quer dizer “confiável”. As nuvens inutilizam os geradores solares; calmarias paralisam turbinas eólicas; até mesmo as usinas hidrelétricas sofrem com os altos e baixos das estações. E nem mesmo o mercado de matérias-primas, como petróleo e gás natural, é estável. Rogner afirma que a flutuação dos mercados de petróleo e gás natural pode causar grandes danos às economias. Mas as variações no preço do urânio quase não influem no preço final, já que o combustível é apenas uma pequena parte do custo operacional do reator. Portanto, o que os países mais apreciam na energia nuclear é a sua confiabilidade. Faça sol ou chuva, vento ou calmaria, uma usina nuclear nunca para de produzir. Segundo Rogner, esta é razão pela qual a energia nuclear é perfeita para as “necessidades básicas de eletricidade” de um país. Mas e o lixo radioativo? Enquanto ele se acumula nas proximidades das usinas nucleares, diz Rogner, os engenheiros ainda discutem sobre onde e como armazená-la. No momento, todas as usinas nucleares do mundo usam o ""sistema Scarlett O’Hara"" de lidar com o lixo radioativo: “Pensarei nisso amanhã”. Para 31 países, a energia nuclear é a energia do agora. Confira a lista dos 10 países que apostam sua saúde econômica na energia nuclear, segundo a IAEA.
Créditos: iStockphoto
Hungria
Cem quilômetros ao sul de Budapeste, uma antiga usina nuclear fornece 37% da eletricidade da Hungria. No entanto, os húngaros sequer conseguem extrair seu próprio urânio e precisam importar seu combustível nuclear da Rússia. As instalações para geração de energia eólica e solar praticamente inexistem no país, segundo estatísticas da Comissão Europeia de Energia. Além disso, o caudaloso Rio Danúbio flui lentamente pela topografia plana da Hungria, incapaz de mover as turbinas necessárias à produção hidrelétrica. Afundada em dívidas, a Hungria espera que o baixo custo da eletricidade nuclear ajude a recuperar sua combalida economia.
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Switzerland
Este país montanhoso era o paraíso da energia hidrelétrica, até o aquecimento global encolher suas geleiras. Agora, 39% da eletricidade da Suíça vem da energia nuclear. Como o gelo alpino continua a derreter, novos reatores surgirão nas encostas panorâmicas do país, segundo o Secretariado-Geral da Suíça.
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Armênia
Considerado um dos mais perigosos reatores do mundo pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, o complexo nuclear de Metsamor fornece 40% da eletricidade da Armênia. Um terremoto fechou a usina em 1988. Ela foi reaberta em 1995 – sem nenhuma melhoria nos sistemas de segurança anti-sísimicos. O governo prometeu fechá-la em 2004, mas voltou atrás. O motivo? A desativação de custaria 280 milhões de dólares, alega Associação Nuclear Mundial. Enquanto isso, a Armênia pediu ajuda à Turquia, um ex-inimigo, para construir um novo reator no terreno de Metsamor.
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Eslovênia
Uma usina nuclear da Westinghouse abastece 41% dos 14 bilhões de quilowatts-hora que a Eslovênia consome anualmente, alimentando a economia robusta da nação. Na verdade, a Eslovênia produz tanta eletricidade que vende 6 bilhões de quilowatts-hora para países vizinhos, o que mantêm em alta seu PIB, o maior da Europa Central, segundo estatísticas da CIA.
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Suécia
A energia nuclear fornece 42% da energia elétrica da Suécia. Apesar das usinas modernas que fazem inveja ao fechado grupo nuclear europeu, os suecos têm uma visão ambígua da questão. Em 1980, preocupados com o acidente da usina de Three Mile Island, os suecos votaram pela extinção gradativa de seus reatores. Mas em 2009, voltaram atrás e surpreenderam o mundo ao anunciar planos para aumentar sua capacidade nuclear. A queda do PIP, a preocupação com a mudança climática e a preocupação com a segurança energética são as principais causas do retrocesso.
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Ucrânia
Com nuvem radioativa de Chernobyl pairando sobre a Europa e a América do Norte – segundo a ONU, foi 100 vezes maior que a de Hiroshima e Nagasaki – os inseguros reatores da Ucrânia foram acionados e hoje fornecem 47% da demanda anual de 182 bilhões de quilowatts-hora. Por que a Ucrânia é tão dependente da energia atômica? O clima desfavorável e a ex-Mãe Rússia, que ameaça fechar a “torneira” do gás natural a cada inverno. Esta situação não deve durar: segundo a Agência Nuclear Mundial, a Ucrânia extrairá todo o urânio de que precisa até 2013.
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Bélgica
Cerca de 50% da energia elétrica da Bélgica é de origem nuclear, apesar do manejo difícil de seus sete reatores. Em 1999, a Bélgica anunciou a descontinuação de seu programa nuclear durante 40 anos, mas acabou retomando-o em 2000. Outra resolução para a suspensão da exploração nuclear veio em 2003, mas, em 2007, o país recomeçou a engendrar planos de longo prazo para a produção de energia nuclear. Segundo a Comissão de Energia Belga, desligar os reatores dobraria a conta de eletricidade, agravando as emissões de efeito-estufa e aprofundando a dependência energética neste país praticamente desprovido de recursos naturais.
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Eslováquia
Com 56% de geração de eletricidade pela via nuclear, a Eslováquia está acrescentando dois reatores aos cinco existentes (um acidente fatal em 1977 durante um reabastecimento inutilizou o sexto). Preocupada com a segurança das usinas da era soviética, a União Europeia exigiu que a Eslováquia desligasse os dois reatores mais antigos. Na década de 1990, o país gastou mais de 300 milhões de dólares para modernizar seus reatores. Os eslovacos reclamaram, mas a reabertura das usinas já é admitida publicamente. E quanto aos resíduos domésticos? Desde 1986, a Eslováquia lança seu lixo radioativo em lagos de armazenamento, segundo a Agência Nuclear Mundial. A escolha de um “depósito de lixo radioativo permanente e remoto” está em andamento, uma difícil tarefa para um país minúsculo.
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Lituânia
Plana, cheia de nuvens, falida e dependente do gás natural da Rússia, a Lituânia se agarra a seu único reator, o Ignalina. Ele já foi o maior do mundo e, ainda hoje, supre 72% da demanda energética do país. Mas com o iminente desligamento do Ignalina, a Lituânia empenha-se para construir uma nova geração de reatores até 2018. Para isso, o país tenta fechar acordos com países vizinhos, como Látvia, Estônia e Polônia, na esperança de conseguir os bilhões necessários para a empreitada.
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