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Mudança climática constante: 4.000.000.000 de anos atrás
As mudanças climáticas surgem de todos as formas e intensidades. Ao longo dos últimos bilhões de anos, nosso planeta variou entre uma bola de neve e um lugar tão quente que répteis poderiam tomar sol na Antártida, como apontam evidências geológicas. A vida sempre teve um papel importante no clima da Terra, tendo tanto sido induzida a se desenvolver com as mudanças climáticas como induzindo tais mudanças. Entre os controladores climáticos mais importantes estão os organismos que absorvem o dióxido de carbono do ar, depositam o carbono no solo, e liberam oxigênio na atmosfera - plantas, algas e fotossintetizadores. Por milhões de anos, esses organismos enriqueceram a atmosfera com oxigênio, tornando a vida animal e o resfriamento do planeta possíveis. Por incrível que pareça, a argila também teve um grande papel neste processo. De acordo com pesquisas recentes, minerais de argila especiais – feitos por micróbios do solo e depois colocados em contato com a água do mar – atuaram como "areia de gato" no mar e absorveram grandes quantidades de compostos de carbono orgânico que comsumiam oxigênio. Os minerais afundavam na areia do mar com a grande quantidade de carbono e ficavam enterrados.
Créditos: iStockphoto
De estufa a geladeira: 34.000.000 de anos atrás
O palco para o clima de hoje foi montado há 34 milhões de anos, quando o clima de estufa da era Eocênica deu lugar ao clima mais frio da era Oligocênica, o que transformou o planeta em um lugar mais gelado. Essa mudança global foi provavelmente causada pela deriva continental -- a movimentação dos continentes, que pode reorganizar a maneira com que o ar e a água fluem no planeta. Durante a era Eocênica, répteis tomavam banhos de sol nos litorais da Antártida. Mas então, de forma particularmente rápida, as geleiras começaram a se estender em direção ao mar e tomaram conta de toda a paisagem. O continente está preso no gelo desde então. Em todos os outros lugares da Terra, o clima mais frio foi marcado por diversos períodos "interglaciares" quentes. Estamos vivendo em um período interglacial.
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A Rotação da Terra, o Clima e o Homem: 2.000.000 aos atrás
Nos últimos milhões de anos, a Terra passou por uma era glacial de cerca de 100 mil anos, aparentemente induzida pela chamada "variação orbital". Uma combinação de mudanças na órbita da Terra ao redor do Sol, e as lentas vibrações da Terra em seu eixo de rotação acabaram entrando em sincronia e criando esse efeito, também conhecido como "ciclos de Milankovitch". Isso, sem dúvida, teve papel fundamental na evolução dos Homo sapiens e de todos os outros membros do nosso gênero, entre eles os Homo erectus e os Homo habilis.
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Exterminados pela mudança climática? 70.000 anos atrás
O Homo sapiens definitivamente entrou em cena como um sofisticado caçador-coletor. Havia outros hominídeos também, como os fortes Homo neanderthalensis na Europa e os Homo floresiensis na Indonésia. Mas o clima era um problema. Alguns pesquisadores suspeitam que nossa espécie foi quase exterminada por uma mudança climática abrupta que ocorreu há 71 mil anos, gerada pela erupção cataclísmica do vulcão Toba, na Indonésia. Toba liberou 2.800 quilômetros cúbicos de cinzas e poeira na atmosfera - cerca de 2.800 vezes a quantidade liberada pela última grande erupção do Monte St. Helens. A erupção do vulcão Toba pode ter resultado em muitos anos de clima frio, o que teria reduzido os isolados grupos humanos.
Créditos: AP Photo
Era Glacial: 21.000 anos atrás
Os cientistas chamam de "Último Máximo Glacial" o que aconteceu quando camadas de gelo cobriram a maior parte da América do Norte e da Eurásia. Toda aquela água presa nos polos deixou o nível do mar cerca de 120 metros mais baixo do que nos dias de hoje, permitindo que os seres humanos atravessassem a Ponte Terrestre de Bering - ou Beríngia - e povoassem as Américas. Desde então, o clima global tem esquentado - um período interglacial. Há muitas razões para acreditarmos que esse período quente vai terminar com outra era glacial, exceto por um detalhe: os gases- estufa emitidos pelos seres humanos. O nível de dióxido de carbono na atmosfera já está mais alto do que em qualquer outro período interglacial. Isso pode sobrepujar-se às variações de órbita que controlam o clima da Terra desde o fim da era Eocênica.
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Climas mais quente, boom populacional: 10.000 anos atrás
Um grande período para os Homo sapiens. O clima continuou esquentando desde a última era glacial e o homem desenvolveu a agricultura em várias partes do mundo. Em muitos lugares, isso levou à criação de vilas, cidades, ao desenvolvimento da arte, da ciência e da tecnologia. O resultado foi o crescimento da população humana, que passou de 5 milhões para 1 bilhão de pessoas no ano de 1800 d. C. No ano 2000, esse número havia praticamente sextuplicado. É claro que houve períodos mais frios ao longo dos últimos 10 milênios, a maior parte deles causados por erupções vulcânicas que liberavam poeira na atmosfera, refletindo a luz do Sol para o espaço. A maioria dessas informações foi retirada das bolhas de ar de diferentes eras, aprisionadas na camada de gelo da Groenlândia. Exceto por essas erupções, o clima da Terra tende a continuar esquentando.
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Pequena Era do Gelo: 1000 anos atrás
Mais da metade das erupções vulcânicas que alteraram o clima nos últimos dois milênios ocorreu nos últimos 700 anos. Elas acompanharam um período incomum de baixa atividade solar, criando a chamada "Pequena Era Glacial". A grande erupção do Kuwae, que aconteceu por volta de 1450, deve ter gerado pelo menos o mesmo resfriamento causado pela famosa erupção do vulcão Cracatoa, em 1883, ou um resfriamento duas vezes mais intenso do que o causado pela grande erupção do vulcão Tambora, em 1815. Componentes ricos em enxofre, encontrados em blocos de gelo da Groenlândia, também revelam múltiplas erupções entre os anos 1580 e 1640 e entre os anos 1780 e 1830 – todas devem ter atuado como resfriadores em um local onde o clima já era frio, principalmente por volta de 1601 e 1641. Nos testemunhos de gelo também foram encontrados sinais de muitas outras erupções desconhecidas que ocorreram durante os séculos XVII e XIX. Todas têm algo em comum: resfriaram apenas temporariamente ciclos climáticos mais longos da Terra. A primeira tentativa conhecida de estabelecer uma conexão entre erupções e o clima foi feita em 1783, quando Benjamin Franklin, que estava na França, notou uma neblina no céu durante um verão muito frio, sugerindo que a poeira vulcânica poderia ser a causa. Provavelmente, ele estava certo, já que naquele ano havia ocorrido uma grande erupção vulcânica na Islândia.
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Revolução Industrial: 150 anos atrás
A Revolução Industrial acrescentou um novo jogador ao jogo climático: o homem. De repente, estávamos queimando carvão e petr´óleo em grandes quantidades e liberando na atmosfera um volume gigantesco de gases-estufa, ricos em carbono. Todo esse carbono ficava preso nas profundezas das Terra, onde não podia interferir no clima. O efeito foi o oposto do causado pelos vulcões - os gases estufa reforçaram o aquecimento global. Um estudo recente que compara os efeitos de resfriamento causados pela erupção do Cracatoa em 1883 com os efeitos de uma erupção similar que ocorreu em 1991 no Monte Pinatubo, mostra que a última erupção gerou um resfriamento muito menor. No fim do século XX, o efeito estufa estava forte demais para ser afetado. Nos últimos anos, muitas pessoas sentiram na pele as mudanças climáticas: o sudoeste dos Estados Unidos enfrentou uma seca terrível entre 1849 e 1905; ocorreram tempestades de areia, as chamadas "Dust Bowl", nas Grandes Planícies dos EUA em 1930; e a seca na China, nos anos 1940, matou 3 milhões de pessoas.
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Os gases estufa no cenário principal: 10 anos atrás
Por volta dos anos 1990, não só a temperatura da Terra apresentou sinais alarmantes e não naturais de que estava descontrolada, como pesquisadores e políticos de todo o mundo começaram a exigir o controle das emissões de gases estufa. Cientistas, estudando a história climática em íons de testemunhos de gelo, rapidamente começaram a aceitar a ideia de que o clima pode mudar bem mais rápido do que tinham imaginado - em alguns anos, não apenas em milênios. As pessoas também ficaram cientes de que climas extremos possuem "estilos", como o El Niño, que pode causar destruição no mundo todo. Em 1997, foi criado o Protocolo de Kyoto para reduzir as emissões de gases estufa.
Créditos: AP Photo/Tammy Lechner
Interpretando os sinais: Nos dias de hoje
Em 2005, cientistas anunciaram grandes descobertas sobre o clima da Terra. Muitas geleiras na Groenlândia se desprenderam de repente, liberando cada vez maiores quantidades de gelo no mar. Um padrão similar foi observado na Península Antártica. Estudos dos últimos 50 anos sobre furacões se tornaram públicos e revelaram que as tempestades estão ficando cada vez mais intensas e destrutivas. O furacão Katrina foi um exemplo trágico nos EUA e quase varreu Nova Orleans do mapa. Cientistas também anunciaram um desprendimento de gelo recorde no mar do Ártico, e um enfraquecimento moderado na circulação termoalina do Atlântico - a corrente do fundo do oceano que movimenta a Corrente do Golfo, modera a temperatura ao redor do mundo e impede que a Europa tenha um clima semelhante ao do Alasca.
Créditos: AP Photo/Eric Gay, File
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