Imagem 1 de 9
"O navio invencível"
15 de abril de 2012. Há exatamente 100 anos, às 23h40 do dia 14 de abril, 1912, o navio britânico Titanic colidiu com um iceberg no Atlântico Norte. Há 1h20 da madrugada de segunda-feira, 15 de abril, o navio afundou a uma profundidade de 3.800 metros. Dois terços dos 2.224 passageiros e tripulantes morreram.
Desde então, surgiram lendas, mitos, teorias e especulações sobre o "navio invencível", na tentativa de explicar como e por que ocorreu um desastre dessa magnitude.
A tragédia daquela noite escura e fria de abril foi analisada e recriada por gerações de historiadores, engenheiros, analistas, médicos, jornalistas, produtores de TV e diretores de cinema.
Mas como a imprensa da época descreveu o desastre do Titanic? Hoje retrocedemos no tempo e analisamos os artigos escritos durante os anos de 1911 e 1912 para reconstituir a história completa. Este relato inclui a comoção pelo navio recém-constuído, sua apresentação em Belfast, a partida de Southampton e a cobertura dramática do naufráfio na imprensa.
Ilustração do naufrágio do Titanic. (Willy Stower, 1912)
Créditos: Wikimedia Commons
Partida histórica
Mais de 100 mil pessoas de toda a Irlanda vieram prestigiar o lançamento do Titanic, às 12h15 do dia 31 de maio de 1911.
Seguindo a política tradicional da empresa White Star, não houve a tradicional quebra da garrafa contra a popa do navio. O sinal de partida foi feito por fogos de artifício na presença do executivo americano JP Morgan, que ajudou a financiar a nova embarcação; Lord Pirrie, gerente da Harland & Wolff, e J. Bruce Ismay, diretor-executivo da White Star Line. As hélices triplas levaram apenas 62 segundos para lançar o navio ao mar e iniciar sua breve história.
O jornal britânico The Cornishman publicou um relato vívido do evento:
“Duas fortes xplosões indicaram que tudo estava pronto. Lord Pirrie moveu uma alavanca, os eixos deram uma volta ou duas, ouviu-se um leve som metálico e as 25 mil toneladas de aço quebraram o suporte de madeira e se afastaram lentamente.
Alguém gritou: ‘Zarpou!’. O alvoroço crescia à medida que o Titanic, sem emitir nenhum som, atravessava o emaranhado de grades de ferro ao seu redor. Em apenas 62 segundos, toda a sua superfície entrou em contato com a água, enquanto ele avançava majestosamente até o ponto designado.
Assim, quase sem se fazer notar, nascia a criatura mais maravilhosa já concebida pela arte da arquitetura naval e da engenharia marítima”.
O Titanic antes da partida. (Estaleiro Harland & Wolff).
Créditos: Wikimedia Commons
A partida: Um mau presságio?
Em 2 de abril de 1912, o Titanic partiu de Belfast em direção a Southampton. Chegou ao seu destino logo depois da meia-noite de 4 de abril e atracou no cais 44.
Ao meio-dia do dia 10 de abril, o navio deixou Southampton em direção a Cherbourg, mas não foi uma partida tranquila. Poucos minutos depois de deixar o cais, o Titanic quase se chocou com outro barco ancorado, o Nova York.
"Um desastre foi evitado por pouco", publicou o Calgary Herald. O artigo descreve assim o acidente:
“Quando o Titanic saiu de seu ancoradouro para o canal aberto de Southampton, absorveu a água que havia entre o canal e o cais; a pressão intensa arrebentou os grossos cabos que amarravam o USS Nova York, e durante alguns minutos, uma colisão entre os dois barcos parecia iminente”.
O jornal cita uma testemunha ocular: "Os rebocadores Netuno e Vulcano dirigiram-se até o Nova York, amarraram-no com cabos desde a popa e tentaram levá-lo à posição original. Era difícil calcular a distância da costa, mas a distância entre a popa do New York e a lateral do Titanic era ínfima", disse a testemunha.
O Titanic no cais de Southampton, em 10 de abril de 1912, antes de empreender sua fatídica viagem inaugural.
Créditos: Wikimedia Commons
Todos a salvo no Titanic”
Associated Press:
"Cabo Race, Terra Nova, domingo, 14 de abril. Às 10h25 da noite, o navio da empresa White Star, o Titanic, apelidado de ‘CQD’ pela estação telegráfica Marconi, informou ter se chocado contra um iceberg. O navio solicitou socorro imediato”.
A notícia telegrafada pela AP fez os editores de notícias saltarem da cadeira. No entanto, todos eles, exceto um – o chefe dos editores do New York Times, Carr Van Anda – publicaram uma nota dizendo que o Titanic, o "navio invencível", não havia sofrido danos sérios.
"Todos os passageiros do Titanic estão a salvo após a colisão”, publicou o Evening Sun.
"Os passageiros foram transferidos para sua segurança, e o Titanic segue viagem", escreveu o jornal Christian Science Monitor.
Os jornais britânicos informaram que as mensagens provenientes de Terra Nova eram “alentadoras” e citaram A.S. Franklin, vice-presidente da Marinha Mercante Internacional, que disse: "Não temos notícias diretas do Titanic, mas é perfeitamente claro que este navio não pode afundar. O fato de a estação Marconi não receber mais mensagens não significa nada; isso talvez se deva às condições atmosféricas. Temos certeza absoluta de que o Titanic é capaz de superar qualquer dano. Poderia até flutuar de cabeça para baixo, mas permaneceria assim por por tempo indeterminado”.
Van Anda, chefe dos editores do New York Times, foi o único que não acreditou nessas declarações tranquilizadoras. E supondo que a ausência de notícias significava que o Titanic havia afundado com a maioria de seus 2.208 passageiros a bordo, escreveu um título que antecipava o pior:
"O navio Titanic colidiu com um iceberg e começou a afundar a partir da proa à meia-noite; as mulheres entraram nos botes salva-vidas; a última comunicação, à 00h27, foi confusa”.
Mais tarde, Van Anda escreveria uma reportagem de 15 páginas sobre o desastre que chocou o mundo.
A notícia incorreta publicada pelo Christian Science Monitor e o furo do New York Times.
Créditos: Wikimedia Commons
New York Times
Associated Press:
"Cabo Race, Terra Nova, domingo, 14 de abril. Às 10h25 da noite, o navio da empresa White Star, o Titanic, apelidado de ‘CQD’ pela estação telegráfica Marconi, informou ter se chocado contra um iceberg. O navio solicitou socorro imediato”.
A notícia telegrafada pela AP fez os editores de notícias saltarem da cadeira. No entanto, todos eles, exceto um – o chefe dos editores do New York Times, Carr Van Anda – publicaram uma nota dizendo que o Titanic, o "navio invencível", não havia sofrido danos sérios.
"Todos os passageiros do Titanic estão a salvo após a colisão”, publicou o Evening Sun.
"Os passageiros foram transferidos para sua segurança, e o Titanic segue viagem", escreveu o jornal Christian Science Monitor.
Os jornais britânicos informaram que as mensagens provenientes de Terra Nova eram “alentadoras” e citaram A.S. Franklin, vice-presidente da Marinha Mercante Internacional, que disse: "Não temos notícias diretas do Titanic, mas é perfeitamente claro que este navio não pode afundar. O fato de a estação Marconi não receber mais mensagens não significa nada; isso talvez se deva às condições atmosféricas. Temos certeza absoluta de que o Titanic é capaz de superar qualquer dano. Poderia até flutuar de cabeça para baixo, mas permaneceria assim por por tempo indeterminado”.
Van Anda, chefe dos editores do New York Times, foi o único que não acreditou nessas declarações tranquilizadoras. E supondo que a ausência de notícias significava que o Titanic havia afundado com a maioria de seus 2.208 passageiros a bordo, escreveu um título que antecipava o pior:
"O navio Titanic colidiu com um iceberg e começou a afundar a partir da proa à meia-noite; as mulheres entraram nos botes salva-vidas; a última comunicação, à 00h27, foi confusa”.
Mais tarde, Van Anda escreveria uma reportagem de 15 páginas sobre o desastre que chocou o mundo.
A notícia incorreta publicada pelo Christian Science Monitor e o furo do New York Times.
Créditos: Wikimedia Commons
O Iceberg
"Além da neblina, os icebergs são considerados as ameaças mais sérias aos navios que navegam pelo Atlântico Norte", escreveu o New York Times em 16 de abril. Segundo o repórter, “de acordo com o número total de icebergs trazidos pelas correntes oceânicas, a probabilidade de acidentes era maior nas últimas semanas que nos últimos dois anos”.
O iceberg que afundou o Titanic foi descrito por sobreviventes e representado nas ilustrações feitas no dia seguinte ao desastre pelo artista Colin Campbell Cooper, que estava a bordo do navio que resgatou os sobreviventes, o Carpathia. Mas as evidências físicas surgiram apenas dez anos mais tarde, quando uma imagem em tons de sépia, registrada pelo marinheiro tcheco Stephan Rehorek, foi descoberta por acaso.
Tirada cinco dias depois da tragédia, quando ainda havia mais de 100 vítimas flutuando entre os restos do naufrágio, a foto mostra um iceberg que parece ter uma rachadura recente em uma das laterais, semelhante à provocada por uma colisão.
Rehorek estava a bordo do navio de passageiros alemão Bremen, em rota para Nova York, quando seu navio foi desviado para a região do desastre. Antes de partir, Rehorek tirou várias fotografias do iceberg. Quando chegou a Nova York, enviou as imagens para sua casa como recordação, em um selo postal com a data de 25 de abril de 1912.
Escreveu Rehorek: "Queridos papai e mamãe, saudações de Nova York. Envio uma foto de um veloz navio holandês*, que afundou em sua viagem inaugural. Era o o maior navio do mundo. A dois dias de distância de Nova York, ele colidiu com um iceberg e danificou seriamente uma de suas laterais. Cerca de 1.600 pessoas morreram afogadas e outras 670 foram resgatadas. Tirei uma foto do iceberg, enviarei a vocês em breve. Também vi os corpos dos passageiros afogados e destroços do navio. Foi uma imagem aterrorizante. "
* Nunca se esclareceu por que Rehorek achava que o Titanic era holandês.
Foto do iceberg contra o qual o RMS Titanic provavelmente se chocou. (Stephan Rehorek)
Créditos: Wikimedia Commons
"Homens importantes que morreram no Titanic”
Nos dias seguintes ao desastre, os jornais começaram a publicar a lista de passageiros, listas parciais dos resgatados e as biografias das pessoas mais prósperas a bordo do Titanic.
"Homens notáveis morreram a bordo do Titanic" foi um dos títulos mais populares, além de artigos revelando que o "a fortuna somada dos passageiros que viajavam na primeira classe chegaria a US$ 500 milhões”.
Os jornais publicaram fotos de pelo menos seis desses homens proeminentes: o empresário e coronel John Jacob Astor, o mais rico de todos; Isidor Straus, co-proprietário da loja de departamentos Macy´s; J. Bruce Ismay, diretor-geral da White Star Line (que sobreviveu ao desastre); o empresário americano Benjamin Guggenheim e o artista Frank D. Millet.
(Reportagem do Baltimore American).
Créditos: Wikimedia Commons
Heróismo, cavalheirismo e desespero
À medida que os repórteres entravam em contato com os sobreviventes, os jornais publicavam histórias de heroísmo, cavalheirismo, desespero e tristeza.
Todas as reportagens enfatizaram que o Capitão Smith repetia continuamente a regra "mulheres primeiro"; também descreveram como o heróico Coronel Astor ajudou dezenas de mulheres e crianças a se salvarem, para depois esperar serenamente a própria morte. Outros relatos recordavam a "heroína do oceano", a Sra. Straus, que se recusou a deixar o marido e morreu em sua companhia.
Os jornais também contribuíram para criar a lenda da orquestra a bordo do Titanic, quando publicaram que continuaram a tocar a música “Nearer, My God, to Thee” (“Mais perto, meu Deus, de Ti")
O corpo do diretor da orquestra, Wallace Hartley, foi resgatado duas semanas depois do desastre, ainda envergando seu uniforme, com a caixa do violino amarrada ao corpo.
Selo comemorativo da heroica orquestra a bordo do Titanic e de seu diretor, Wallace Hartley. (John Oxley, Biblioteca Estadual de Queensland)
Créditos: Wikimedia Commons
“O navio pareceu se quebrar ao meio”
O Titanic desapareceu no oceano e se tornou uma lenda em apenas 160 minutos (duas horas e 40 minutos depois de atingir o iceberg).
Seus dramáticos momentos finais foram descritos em um artigo do New York Times de 19 de abril, que cita várias declarações anônimas de passageiros do Carpathia.
"Enquanto os botes salva-vidas se afastavam do Titanic, o barco estava todo iluminado, a orquestra estava tocando e o capitão estava de pé, na ponte de comando, dando ordens. A proa estava completamente submersa e a popa se elevava acima da água. De repente, o barco pareceu se quebrar ao meio. E um momento depois, desapareceu. Os sobreviventes estavam tão perto do barco que, durante o naufrágio, tivemos medo que a força da água sugasse os botes salva-vidas”, declarou um passageiro.
"Os gritos das pessoas que permaneceram a bordo subiram aos céus. Ainda escuto esse som em meus ouvidos. Foi a pior coisa que eu ouvi na minha vida”, recordou outro passageiro.
Botes salva-vidas do Titanic: a única coisa que restou do maior navio do mundo.
Créditos: Wikimedia Commons
Galerias Relacionadas
-
Psicólogos famosos
Conheça alguns dos mais notórios psicólogos do nosso tempo.
-
Momentos Inspiradores
Entre as histórias de destruição, houve também lampejos de esperança.
-
Em Nome da Fé
Uma das instituições mais controvertidas da igreja católica.
-
Imagens de Maio
As melhores fotos de maio de 2012 ao redor do mundo.
Galerias Mais Populares
-
Prêmios Internacionais Windland Smith Rice 2008
Ganhadores do prêmio internacional Windland Smith Rice de 2008
-
Paisagens ocêanicas
Prêmio Nature de Melhor Fotografia de Paisagens Oceânicas de 2009
-
Peculiaridades dos Animais
Comportamentos de animais interessantes, incomuns e divertidos.
-
As Mais Estranhas Teorias Conspiratórias
Histórias estranhas sobre a cultura britânica.
Mais HISTORIA
Historia Videos
-
Discovery Interactive
Atentado Contra Hitler_BRASIL
(02:30) -
Discovery Interactive
Coraza_BRA
(01:09) -
Discovery Interactive
Cascos_BRA
(01:30) -
Discovery Interactive
Balas en la Historia_BRA
(01:47)
Operação Gerônimo: A morte de Osama bin Laden
Casos Similares