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Uma entrevista com Richard Dale, diretor do documentário “A Morte de Diana”, Dangerous Films u.k. O documentário acrescenta algo de novo para o público sobre Diana ou sobre o acidente que a matou? Nós todos conhecemos muito da vida pública de Diana, mas sabemos muito pouco sobre as motivações por trás de sua vida pública. Por que namorava Dodi? Por que estava naquele túnel na noite fatal? Espero que, ao enfocar a cronologia e o significado de certos eventos, este filme esclareça e contextualize aquilo que você achava que já sabia.
O que mais o surpreendeu durante as filmagens? Genevieve [O’Reilly] fazendo o papel de Diana foi uma grande revelação. Uma vez personificada a personagem, ela nunca deixou de me surpreender. Eu falava com ela e depois a assistia no monitor, e era como se eu estivesse vendo tomadas de arquivo. Seu gestual e a maneira como se portava eram tão precisos que até assustava! Até mesmo a equipe agia de forma diferente em volta dela – como se a verdadeira Diana estivesse na sala.
Como foi a escolha da atriz que interpretou Diana? Estávamos bem cientes de que o documentário seria um sucesso ou um fracasso dependendo de quem interpretasse Diana e discutimos muito se o papel deveria ser dado a alguém que se parecesse muito com ela ou não. No final, consideramos ambas as coisas. Levamos dias e dias numa sala com várias atrizes lendo o roteiro. A única coisa que estipulávamos é que a pessoa tinha que ter mais de 1,70 m, cabelos claros e olhos azuis. No final, nem foi muito difícil escolher – na hora que vimos Genevieve, sabíamos que ela era a certa.
Qual foi a seqüência mais difícil de filmar? Sem dúvida, foi a seqüência final da perseguição. Era algo tecnicamente difícil, já que exigia condução complicada e o trabalho de dublês à noite. Mais do que tudo, porém, foi algo emocionalmente exaustivo para todos.
Acompanhamos a própria rota de Diana – fechamos o túnel onde ela morreu para fazer as filmagens. Isso significava que estávamos vendo as coisas como ela as vira antes do acidente. Esforcei-me para que as tomadas imitassem as imagens icônicas que todos conhecemos, o que é uma técnica poderosa para o telespectador, mas também algo que nos afeta bastante quando filmamos.
O telespectador presenciará cenas reais do acidente e do que aconteceu depois? O acidente em si não foi captado por câmeras, portanto não há nenhuma tomada de arquivo. Consideramos a possibilidade de encenar uma seqüência envolvendo o carro segundos após a batida, mas chegamos à conclusão de que não seria possível fazê-lo sem comprometer nosso empenho para com o bom gosto, a decência e a exatidão. Achamos que o melhor era deixar o enfoque do filme não na morte e sim na vida de Diana. A ação se interrompe quando entramos no túnel. Enquanto fazia o filme, tive sempre em mente que gostaria de ver os príncipes assistindo ao filme. Espero ter conseguido.
Dez anos após sua morte, por que você acha que o público ainda continua fascinado por Diana? Ela é o último grande ícone. Diana traçou uma linha tênue entre ser um personagem intocável e parte da realeza e, ao mesmo tempo, inteiramente humana – como esposa desprezada e mãe dedicada. Viveu um conto de fadas, mas revelou todas as fraquezas de todos nós.
Penso que as pessoas têm uma enorme dificuldade em encarar o fato de que uma pessoa tão famosa, tão linda e tão glamourosa como ela fosse morrer de maneira tão banal. Isso ainda me intriga, às vezes. É por isso que resistimos em aceitar sua morte e é por isso que temos tanta sede de mais informações sobre Diana. Acho que isso continuará a acontecer por um bom tempo.
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