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Discovery Channel

Entrevista com Mestres do Combate

Os Mestres do Combate Jimmy Smith e Doug Anderson mostram sua força em uma entrevista exclusiva.

“A coragem não é a ausência do medo; a coragem é o domínio do medo.” Doug Anderson.

“O único impulso que tenho é lutar com profissionais. A idéia de me envolver em uma briga de rua é um perda de tempo.” Jimmy Smith.

Pergunta: Como foi a experiência de aprender boxe no México?
Jimmy Smith: A experiência de aprender boxe no México é um dos nossos episódios favoritos. Nós treinamos com Macho Berestein, um dos melhores treinadores do México, e aprendemos uma quantidade impressionante de coisas em cinco dias. Aquilo realmente mudou toda a minha rotina de boxe quando voltei para casa. Foi um dos estilos mais práticos e eficientes que experimentamos, um dos melhores que aprendemos. Lutar boxe na Cidade do México foi sensacional.
Doug Anderson: Lutar boxe no México foi um dos melhores treinamentos que tivemos no ano. Eu e Jimmy havíamos acabado de voltar da Tailândia, onde lutei com um cara da Espanha, eu o golpeei pra valer. Quando terminamos, ele me disse, “ah, dá para ver que você esteve no México”.

Pergunta: Que tipo de riscos vocês enfrentam quando lutam no programa? Vocês já se machucaram durante as filmagens?
Jimmy Smith: Eu, pessoalmente, tive muita sorte em relação a isso. Não me machuquei muito. Doug sofreu alguns ferimentos.
Doug Anderson: É, não sei qual é o problema comigo. Sou como uma flor delicada, cara. O Jimmy é como uma pedra. Ele é muito resistente e não consegue se machucar.

Quando lutamos, é pra valer, não estamos brincando. Todas as lutas são de verdade, e grande parte do nosso treinamento também é muito intenso. Então, as lesões são bem freqüentes.
Jimmy Smith: O que muitas pessoas não percebem no programa é que eu peso cerca de 15 quilos a mais que Doug.

Pergunta: Como foi o treinamento na academia Gracie, no Brasil?
Jimmy Smith: Faço Jiu-jitsu há seis anos, e poder treinar na Academia Gracie foi realmente incrível. Não só recebi ótimos conselhos do próprio Gracie, que é fantástico, como a academia concentra provavelmente os 10 ou 15 melhores faixas-pretas do mundo.

Pergunta: Vocês planejam voltar ao Brasil para aprender capoeira?
Jimmy Smith: Doug ganhou uma bela demonstração de capoeira quando estava treinando em Saquarema, e se divertiu muito, então... quem sabe? Talvez a gente retorne na próxima temporada.

Pergunta: Vocês já sentiram medo enquanto lutavam?
Doug Anderson: Com certeza. Quem disser que não tem medo está mentindo. Sentir medo é uma reação humana natural. O que diferencia os homens dos garotos é que você sente medo, mas decide superá-lo e enfrentá-lo sem rodeios.

Todo mundo sente medo. Você está fazendo uma coisa que seu corpo diz para você não fazer. Em uma luta, o reflexo, a reação humana normal, é sair correndo, Não há razão para lutar.
Jimmy Smith: No programa, muitas vezes eu e Doug enfrentamos 5 ou 10 caras de uma vez, nem sempre é uma luta entre duas pessoas. Então, sempre que você lidar com uma situação como essa, seu medo se multiplicará, porque você não pode vencer 10 ou 20 adversários, sob uma perspectiva realista. De qualquer forma, você vai levar a maior surra.

E se envolver em uma luta assim sem sair correndo é difícil. Isso nos força quase até o limite, mas sempre conseguimos nos superar e nunca nos rendemos. É isso o que importa para nós.

Pergunta: Vocês consideram seus corpos como armas mortais? Vocês têm o poder de matar?
Jimmy Smith: Só depende de mim até onde uma luta pode chegar. Sei dominar ou derrubar alguém sem ir tão longe.
Doug Anderson: Uma das coisas mais legais das artes marciais é que elas ensinam você a se conter. Você não está lá para liberar sua fúria. De alguma forma, sua ira se acalma, você se torna uma pessoa mais concentrada e disciplinada. É como se aprender a arte ensinasse você a moderá-la.

Pergunta: Vocês experimentaram diferentes técnicas de combate. Quais foram as mais difíceis de aprender?
Jimmy Smith: Krav Maga, não tanto pelo estilo, mas pelo treinamento que tivemos de fazer. Trata-se de derrotar múltiplos adversários, e a selvageria do seu ataque é o foco central do estilo. Havia muita pouca técnica nele. Era mais como levar uma surra todos os dias.
Doug Anderson: Krav Maga foi como ser jogado em um liquidificador. Foi bem doloroso. Eles não usam nada para amortecer os golpes, não possuem regras neste estilo de luta. Então você lutava com um cara sem equipamento protetor, e ele tinha permissão para fazer tudo o que quisesse com você.

Pergunta: Vocês serão vistos como mestres nesta disciplina no programa?
Jimmy Smith: Acho que a questão central é que não somos mestres. Estamos tentando aprender o estilo. Quero dizer, não temos nenhuma experiência em muitos destes estilos que lutamos. Somos lutadores, mas não crescemos praticando todas essas artes marciais. Estamos treinando com pessoas que são muito melhores que nós. E grande parte do programa é sobre o quanto conseguimos aprender durante o tempo limitado de que dispomos.
Doug Anderson: Acho que o que torna nosso programa interessante é representar a história do “anti-herói”, em que Jimmy e eu nunca somos os mestres do que estamos fazendo. Nunca somos os melhores, e muitas vezes, chegamos a ser os piores. E as pessoas se identificam com isso. Na vida, todos temos de lutar, todos enfrentamos dificuldades e problemas, e podemos nos deparar com obstáculos insuperáveis. É mais ou menos isso que enfrentamos em cada episódio.

Pergunta: O que vocês diriam às pessoas que acham que as artes marciais são um pouco violentas para ser consideradas como um esporte?
Jimmy Smith: Bem, uma coisa boa do nosso programa é que lidamos com muitos estilos de luta diferentes. Cada estilo tem seu próprio sabor, sua própria ênfase e seus próprios discípulos. Alguns deles se concentram totalmente na competição, outros totalmente na sobrevivência, e outros são um tipo de demonstração da beleza e da disciplina do estilo.

Então acho que parte do nosso programa mostra que não há uma única filosofia por trás das artes marciais. Creio que cada uma têm sua ênfase particular.

Recebi muitos comentários de pessoas que adoraram o episódio do México porque elas gostam do estilo esportivo das artes marciais. Eles gostam desta ênfase esportiva. Outras pessoas gostaram mais do Krav Maga. É mais ligado ao estilo de luta de rua, ao que funcionaria em uma situação de auto-defesa.
Doug Anderson: Qualquer pessoa que pisar em um ringue para lutar o faz porque este desejo existe em muitos de nós. Eu não seria uma pessoa feliz sem as artes marciais. É uma coisa que me faz sentir completo, e eu amo praticá-las.

Eu também sou um artista. Quero dizer, quando pinto um quadro, tenho a mesma sensação ao subir em um ringue para lutar com alguém. Para mim, é a mesma sensação de realização, satisfação e plenitude.

As pessoas que não lutam podem olhar e dizer, “nossa, isso é brutal”. Para elas, é violento ver duas pessoas se atacando. Mas se continuarem a assistir à luta, verão que, no final, os dois lutadores se abraçam, eles se admiram e se respeitam mutuamente. A luta pode ser brutal, mas é algo de que precisamos como lutadores.

Nós adoramos essa sensação, seja quais forem as razões, sejam genéticas ou algo que aconteceu enquanto estávamos crescendo, não importa. É uma coisa necessária na nossa vida, e não há rancor, não há ódio entre os lutadores ou entre artistas marciais.

Pergunta: O que vocês pensam quando assistem a vídeos de lutas de rua publicados em sites como o YouTube?
Jimmy Smith: Nunca me senti atraído pela luta de rua. Nunca gostei dela, nunca fui de lutar na rua quando moleque. Preferia ver uma luta de boxe, uma luta da MMA ou uma luta de muay thai antes de ver uma luta de rua. Nunca gostei da idéia de lutar com alguém na rua que não sabe o que está fazendo.

O único impulso que tenho é lutar com um profissional. É a única coisa que me atrai. A idéia de me envolver em uma luta de rua com alguém é uma perda de tempo. A maioria das pessoas que se envolve em lutas de rua está buscando esse tipo de coisa – algo que eu nunca procurei.

Eu sempre me senti atraído pelo lado profissional da luta. Não gosto muito de lutas de rua. Acho que são realmente sem sentido e brutais, e não gosto delas.
Doug Anderson: Eu concordo. Para mim, uma das coisas que mais me atrai em lutar é a irmandade que isso gera. Há algo ligado ao sofrimento compartilhado e à privação conjunta que une as pessoas. Alguns dos melhores amigos que fiz na vida eu conheci no ginásio onde treinava, onde lutávamos uns contra os outros.

As artes marciais são construídas sobre uma base de respeito pelo próximo e respeito pelo estilo. É uma coisa bonita. Colocar dois sujeitos para brigar e apostar dinheiro para ver qual deles vai dar uma surra no outro tira grande parte da beleza da coisa.

Para mim, lutar tem a ver com respeito, tem a ver com testar meus limites, não com dar uma surra em alguém. Quero descobrir os meus limites, não os dos outros lutadores.

Uma grande parte da arte de lutar envolve o aspecto mental e o desafio, a esportividade. Observar dois caras se esmurrando na rua não é tão interessante, é brutalidade. Não é realmente um esporte, e não é algo que eu ache interessante de se ver.

Pergunta: Qual é a sua arte marcial favorita, depois de tudo o que vocês experimentaram?
Jimmy Smith: Lutar boxe na Cidade do México foi fantástico e o que aprendi foi incrível. A filmagem na Tailândia, onde fizemos o Muay Thai, foi sensacional porque exigiu muita concentração.
Doug Anderson: Para mim, escolher o estilo favorito que treinamos este ano seria como escolher o dente mais divertido para ser arrancado da boca. Todos eles foram incrivelmente dolorosos, mas também foram muito divertidos.

O caratê é realmente um desafio físico, enquanto o kung fu oferece um desafio mais espiritual/mental. Cada arte marcial tem seu próprio estilo, seu próprio sentido e seus próprios desafios, e eles são todos incríveis, cada um a seu modo.

Pergunta: - Além da violência, brutalidade, força e exercício, o que vocês consideram importante em relação às artes marciais no mundo?
Jimmy Smith: Além dos aspectos físicos, lidamos com o aspecto mental, que é realmente subestimado nas artes marciais. A disciplina e o enfoque de cada estilo são orientados para a abordagem mental e espiritual da luta; o kung fu enfatiza a forma como a espiritualidade influencia você. O caratê se baseia na disciplina, na concentração mental. A sutileza com que estes estilos são abordados, mental e espiritualmente, além do físico, é um aspecto muito importante do programa.

Pergunta: Como as artes marciais sobrevivem hoje, com o desenvolvimento de armas que apresentam uma vantagem sobre a luta corpo-a-corpo e a técnica?
Doug Anderson: Bem, mesmo que você nunca tenha que usá-las num sentido prático, como lutar por sua vida, as artes marciais são, na verdade, um exercício de força mental e física. Elas são benéficas para você em vários sentidos.

Até mesmo em um mundo cheio de armas e graves perigos, conhecer-se fisicamente, e saber que você é capaz de cuidar de si mesmo em uma luta ainda é uma enorme vantagem.

Muitas vezes, um conflito que ocorre na rua não envolve qualquer arma, e você não quer ser a pessoa a sacar uma naquela situação. É muito melhor saber apenas que você pode se proteger e proteger sua família usando apenas seus pés e suas mãos.

Também é bom saber que, se alguém atacar você com uma arma, você não precisa de outra arma para revidar. Você pode desarmar aquela pessoa, tomar sua arma e quem sabe acabar com qualquer tipo de violência antes que ela vá longe demais.
Doug Anderson: Saber que você é capaz de lutar faz você se sentir muito mais seguro, muito mais confortável e muito mais confiante em todos os aspectos da vida. Talvez você nunca precise lutar com alguém na rua, mas com certeza nenhum de nós jamais irá se sentir ameaçado ou com medo em nenhuma outra situação da vida. Eu me sinto muito mais confiante e muito menos ameaçado pelas ações de outras pessoas.

Pergunta: Como é o seu treinamento? O que vocês fazem para ficar em forma?
Doug Anderson: Faço muita atividade cardiovascular, como correr, mas me dedico principalmente ao treinamento para luta, então uso muito os sacos de areia, o sparring…É o que costumo fazer todos os dias, de três quatro horas, em média.
Jimmy Smith: Eu faço mais ou menos a mesma coisa. Quando estou me preparando para uma luta profissional, acrescento muitos exercícios de circuito e muito treinamento pliométrico, em que executo vários movimentos explosivos. É o que faço para me preparar antes de uma luta. Muito trabalho essencial, cardiovascular, abdominal. A idéia é nos tornarmos melhores lutadores em tudo o que fazemos.

Pergunta: Para onde vocês vão agora?
Doug Anderson: Vamos para a Índia em duas semanas.

Pergunta: Vocês tem alguma coisa programada para algum outro lugar na América Latina este ano?
Jimmy Smith: Não que a gente saiba, mas na segunda temporada, adoraríamos voltar para a América Latina. É uma das regiões que realmente gostaríamos de atingir. Eu e Doug adoraríamos gravar na América Latina de novo. Eu gostaria de conhecer a Argentina.
Doug Anderson: Com certeza eu iria para a Argentina, e não me importaria de ir para Porto Rico também, se tivesse uma desculpa para fazê-lo. Estamos felizes, não importa o lugar.

 

Algumas pessoas adoram lutar. O restante gosta de observ�-las.
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