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O ataque
A alegria vibrante do jovem Ulrike Meyfarth depois de quebrar um novo recorde mundial de salto em altura na noite de 4 de setembro foi uma das últimas imagens tranqüilas dos Jogos de Verão de 1972. Nas primeiras horas do dia 5 de setembro (4h10 da manhã.), oito jovens palestinos usando roupas e mochilas esportivas cheias de armas escalaram a cerca de arame de dois metros perto do Portão 25ª da Vila Olímpica. Alguns funcionários de uma empresa de telecomunicações que checavam linhas telefônicas os viram, mas não suspeitaram de nada. Acharam que eram só atletas voltando de uma noitada na cidade.
Por volta das 4h20 da manhã, os atacantes usaram uma cópia da chave para abrir a porta de um dos apartamentos da equipe olímpica israelense no No. 31 da Conollystrasse. O árbrito de luta romana de Israel, Yosef Gutfreund, ouviu o barulho. Ao ouvir vozes falando em árabe, ele avisou seus colegas de equipe e se jogou contra a porta da frente. O levantador de pesos Tuvia Sokolsky conseguiu escapar por uma janela nos fundos do prédio antes que os palestinos entrassem no apartamento. Quanto o técnico de luta romana Moshe Weinberg tentou se defender, levou um tiro.
Por volta das 4h35 da manhã, os atacantes invadiram mais apartamentos e capturaram um total de 12 israelenses no No. 31 da Conollystrasse.
Às 4h50 , Weinberg, mesmo ferido, o lutador Gad Tsabari, e pouco depois, o levantador de pesos Yossi Romano conseguiram escapar. Tsabari escapou pelo porão. Os outros dois foram mortos em uma rajada de balas.
Às 4h55, finalmente o alarme soou na sede da polícia de Willi-Gebhardt-Ufer. Alguns minutos depois, a polícia e a divisão de segurança das Olimpíadas chegaram à cena na Conollystrasse.
“Entrem em contato com o governo de Israel”, gritou um homem com o rosto pintado de preto, usando um chapéu camuflado. Era o líder dos atacantes, Luttif Afif, conhecido como Issa. O homem de 35 anos, que havia estudado na Alemanha Ocidental durante muitos anos e havia conseguido um emprego na Vila Olímpica, falava alemão. No folheto que jogaram da sacada, os membros do grupo terrorista Setembro Negro {Link to point 4} exigiam a libertação de mais de 200 árabes de prisões de Israel, assim como os alemães Ulrike Meinhof e Andreas Baader, que eram membros da Facção do Exército Vermelho e estavam detidos na penitenciária de Stammheim. Se as exigências não fossem cumpridas até as 9 horas da manhã, os reféns seriam mortos.
Às 5h21, os Comitês Olímpicos Nacional e Internacional e o Ministro do Interior da Bavária foram informados, e as ambulâncias foram chamadas. Os terroristas jogaram o corpo de Moshe Weinberg do apartamento. O levantador de pesos Yossi Romano, gravamente ferido no primeiro andar, sangrou até a morte diante de seus colegas de equipe. Às 6h40, uma tentativa de negociação na Conollystrasse foi conduzida por Walther Tröger, prefeito da Vila Olímpica, pelo Presidente do Comitê Olímpico Nacional Willi Daume, pelo Chefe de Polícia Manfred Schreiber, chefe de segurança dos Jogos, e pelo Ministro do Interior da Bavária Bruno Merk. Mas os terroristas rejeitaram todas as propostas. Enquanto isso, o Ministro do Interior, Hans-Dietrich Genscher, se dirigia à Vila Olímpica, agora cercada pela polícia por um cordão de isolamento.
Às 7h40, centenas de reforços policiais chegaram para apoiar as forças de segurança no local.
Ao longo da noite, a pacífica festa das nações havia se transformado em um atração secundária do conflito entre Israel e Palestina. Informado pelas autoridades alemãs, o governo de Israel, sob o comando da Primeira Ministra Golda Meir, declarou que não poderia nem aceitaria nenhuma negociação com os terroristas.
9 da manhã, meio-dia, 5 da tarde. Na Vila Olímpica, os ultimatos se repetem. Os palestinos ainda se recusam a libertar os reféns. Finalmente, o Ministro Federal do Interior, Genscher, se oferece como refém substituto, mas os terroristas também recusam a oferta. Às 15h38, o Presidente do Comitê Olímpico Internacinal, Avery Brundage, declarou uma pausa oficial nos Jogos e anunciou uma cerimônia fúnebre para as duas vítimas que haviam morrido nas mãos dos terroristas.
Forças impotentes da lei e da ordem
O mundo ficou com a respiração suspensa naquele dia negro, 5 de setembro de 1972 – e as forças de segurança da Alemanha Ocidental se viram diante de uma situação desesperadora. Como os organizadores quiseram que os Jogos fossem amigáveis e cosmopolitas, eles deliberadamente mantiveram um policiamento ostensivo mínimo.
Os seguranças no Parque Olímpico vestiam ternos azul-claro Courrèges no estilo safári, e estavam equipados somente com rádios, megafones e lanternas. O serviço de segurança, que incluía também a Vila Olímpica, não tinha armas nem poderes como polícia.
Os 2.000 guardas lidavam com conflitos distribuindo doces, flores e às vezes o mascote olímpico, o colorido dachshund listrado cão ‘Waldi’. Os terroristas não poderiam desejar adversários mais fáceis. Antes dos Jogos, aqueles que haviam tomado as decisões relevantes haviam classificado a ameaça do terrorismo como simplesmente “irrealista demais”, apesar dos avisos de alerta – que infelizmente, estavam certos.
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