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Quando Peter Benchley decidiu escrever “Tubarão” nos anos 1970, ele não tinha a menor idéia de que estava criando um dos maiores ícones do cinema moderno e uma história tão duradoura. Sua novela original, sobre um tubarão gigante que aterroriza uma pequena cidade à beira-mar, foi publicada em fevereiro de 1973 e foi um grande sucesso, vendendo mais de 20 milhões de cópias.
Benchley cresceu às voltas com tubarões, caçando-os regularmente em expedições pesqueiras em sua casa, na ilha de Nantucket, em Massachusetts. Em 1964, ele leu uma história sobre um pescador que pegou um tubarão-branco de 5,18 metros e 2.063 quilos, em Long Island, Nova York. A história fez com que ele imaginasse um grande tubarão que aparecia em uma comunidade à beira-mar e não ia mais embora. Ele já tinha uma carreira de sucesso como escritor, e havia publicado algumas matérias sobre tubarões, mas só em 1971 começou a escrever o livro que faria ele mesmo e, é claro, Steven Spielberg ficarem famosos.
O fenômeno sobre o livro inevitavelmente atrairia a atenção de Hollywood. Mas repetir o sucesso do livro na tela certamente não seria uma tarefa fácil. Spielberg, que com apenas 28 anos começou a trabalhar no filme, tinha medo do mar e de tubarões antes mesmo de ler o livro – mas ele era muito bom em expressar seus medos através do cinema e estava determinado a fazer com que “Tubarão” funcionasse também na telona. Apesar de tudo, o filme parecia estar amaldiçoado desde o início.
Construir um modelo mecânico do gigante tubarão-branco – e fazer com que funcionasse dia após dia, 19 km no mar – foi um grande desafio técnico que fez com que o filme ultrapassasse a verba e a data de finalização estabelecida originalmente. O tubarão custou um quarto de milhão de dólares para ser construído e quebrava ou afundava quase todo dia. Em vez de filmar em tanques e usar a técnica de miniaturas já utilizada em vários outros filmes com o mar de cenário, Spielberg insistiu em filmar tudo no oceano. Correntezas e tempo ruim no mar dificultaram as filmagens e fizeram com que o roteiro original fosse reescrito e alterado quase diariamente.
Apesar de tudo isso, o resultado final não foi somente espetacular, mas também assustador. O sentido de drama e tempo de Spielberg, combinado com os movimentos fatais do tubarão altamente realista, fizeram com que o público gritasse no mundo todo quando o filme foi lançado em 1975. O filme foi exibido em 409 salas, um grande número de cinemas para a época, mas as pessoas vieram de todos os lugares para poder ver a obra, que faturou mais de 7 milhões de dólares em seus primeiros três dias de exibição, tornando-se o primeiro filme a faturar mais de 100 milhões. Assim, ele redefiniu a idéia de sucesso de bilheteria moderna, provando que filmes grandes e dramáticos poderiam fazer fortunas durante os meses do verão americano.
O apelo assustador e único de “Tubarão” fez dele um gigantesco fenômeno cultural em todo o mundo – um fenômeno que ainda persiste. Ninguém que tenha visto “Tubarão” em 1975 esquece como ficou assustado. Os pôsteres e as imagens lendárias que acompanharam o lançamento do filme são imediatamente identificados até hoje. Steven Spielberg se transformou em um dos cineastas mais celebrados da era moderna – em grande parte devido ao seu trabalho em “Tubarão”. Aquele tubarão pode ser assustador, mas o cinema de hoje deve muito a ele.
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