Franz Stangl era o comandante nazista dos campos de concentração de Treblinka e Sobibor, na Polônia. Ele foi responsável pelo extermíminio de cerca de 900 mil homens, mulheres e crianças. No fim da guerra, ele fugiu para a Itália, beneficiando-se de uma rota de fuga (as chamadas “ratlines”) oferecida por oficiais do Vaticano. De lá, ele desapareceu.

Simon Wiesenthal era um sobrevivente do Holocausto. Nascido na Ucrânia em 1908, foi capturado com sua família em 1939 e enviado a um campo de trabalhos forçados, onde trabalhou construindo ferrovias para os alemães. Em maio de 1945, ele foi libertado do campo de Mauthausen por soldados Aliados. Com mais de 1,80m de altura, ele pesava menos de 45 quilos. Depois de recuperar a saúde, jurou encontrar alguns dos carrascos nazistas que massacraram os judeus.

Em 1947, Wiesenthal fundou um Centro de Documentação Judaica independente em Linz, que mais tarde estabeleceu em Viena. Ele destrinchava documentos sobre o paradeiro dos criminosos de guerra nazistas, mas era um trabalho que consumia muito tempo. Quando seu principal benfeitor suíço faleceu, ele foi obrigado a fechar o centro em 1954. Uma das grandes façanhas de Wiesenthal foi a captura de Karl Silberbauer, o oficial da Gestapo que prendeu Anne Frank, e Hermine Braunsteiner-Ryan, supervisora de um campo de concentração que foi encontrada no bairro do Queens, em Nova York. Ela havia ordenado o assassinato de milhares de mulheres e crianças no campo de extermínio de Majdanek. Wiesenthal morreu em 2005.

Enquanto isso, em 1945, Stangl havia conseguido ocultar sua identidade de seus captores norte-americanos e ficou preso durante pouco tempo por sua participação no progrma de eutanásia nazista. De lá, ele fugiu para a Itália, onde oficiais do Vaticano o ajudaram a chegar à Síria com um passaporte da Cruz Vermelha. Stangl viveu com sua família na Síria durante três anos antes de fugir para o Brasil, em 1951. Em São Paulo, Stangl conseguiu emprego em uma fábrica da Volkswagen e nem se incomodou em ocultar seu próprio nome.

No fim da década de 1950, os soviéticos e norte-americanos perdem o interesse na caçada aos nazistas, e Wiesenthal sofreu um revés. Mas tudo mudou com a dramática catpura do célebre criminoso de guerra Adolf Eichmann, em 1960. Wiesenthal alegou estar diretamente envolvido em sua perseguição, fornecendo informações cruciais. Na verdade, Eichmann havia sido capturado pelo Mossad sem sua ajuda, mas permitir que Wiesenthal levasse o crédito serviu a seus propósitos. Com a publicidade mundial, o dinheiro voltou a fluir para o centro, permitindo que Wiesenthal reiniciasse sua caça aos nazistas.

Wiesenthal usou este dinheiro para perseguir Stangl. Um ex-oficial da Gestapo exigiu US$ 25 mil em troca de informações sobre o nazista. Com relutância, Wiesenthal concordou em pagar US$ 7 mil, o equivalente a um pêni para cada pessoa morta em Treblinka. “Eu tinha três possibilidades”, ele escreveu, “escorraçar aquele homem, estrangulá-lo ou lidar com ele. Escolhi a terceira opção, porque achei que a prisão de um assassino em massa valia tal pagamento”. A paciência de Wiesenthal rendeu frutos. Mas as autoridades austríacas ficaram constrangidas em expedir um mandado de prisão contra Stangl em 1961, e, depois de seis anos, Wiesenthal o localizou no Brasil. Ele foi extraditado para a Alemanha Ocidental, onde foi julgado pelas mortes de 900 mil pessoas. Stangl admitiu os assassinatos, mas alegou que estava apenas cumprindo o seu dever.

Declarado culpado em 1970, Stangl foi condenado à prisão perpétua, mas morreu de infarto em uma prisão de Düsseldorf, em 1971.