Adolf Eichmann foi o oficial da SS acusado pela Solução Final, e pelo transporte dos judeus aos campos de extermínio nazistas – missão que desempenhou com zelo e eficiência. Em agosto de 1944, Eichmann relatou a Hitler que quatro milhões de judeus haviam sido eliminados nos campos de concentração e mais dois milhões haviam sido baleados ou mortos nas câmaras de gás. Em 1945, Eichmann foi preso pelos Aliados, mas no ano seguinte, como não foi identificado como o grande vilão que era, ele escapou e desapareceu. Como e por que ele conseguiu escapar ainda é motivo de controvérsia.

Isser Harel, chefe do Mossad, a lendária agência de inteligência israelense, estava determinado a agarrar Eichman. Sua missão era capturar Eichmann e levá-lo a julgamento antes que membros radicais dos Vingadores, o grupo de judeus dedicado a matar nazistas, o pegassse.

Tudo começou quando Shimon Avidan, um Vingador dedicado, afirmou ter encontrado Adolf Eichmann. Mais tarde, confirmou-se que era o homem errado e o ataque teve de ser suspenso antes que uma pessoa inocente fosse morta. Na verdade, Eichmann havia fugido para a Argentina, ajudado pela organização secreta Odessa.

As pessoas começaram a fazer perguntas sobre os Vingadores, e alguns deles legitimaram suas ações tornando-se membros fundadores do Mossad em 1951.

Inesperadamente, no outono de 1957, o Ministro do Exterior israelense recebeu uma ligação do promotor público de Hesse, na Alemanha, dizendo que Eichmann estava vivo e morava na Argentina. A informação foi transmitida para Isser Harel, líder do Mossad. Harel havia morado na Palestina durante todo o Holocausto. Para ele, capturar Eichmann era uma questão de justiça, não de vingança.

Os agentes do Mossad seguiram meticulosamente todas as pistas e, no fim de 1959, descobriram que Eichmann havia mudado seu nome para Ricardo Klement. Uma equipe de agentes foi enviada à Argentina e seguiu o filho de Eichmann, que os levou até a rua Garibaldi, em San Fernando, Buenos Aires. Eles vigiaram a casa constantemente, fotografando cada ângulo. Finalmente, em 21 de março de 1960, os agentes viram Ricardo Klement saltar de um ônibus e caminhar lentamente até sua casa.

Agora, tudo devia ser feito com a máxima discrição, porque os agentes enfrentavam dois grandes problemas. Primeiro, a operação era inteiramente ilegal. Não havia acordo de extradição entre a Argentina e Israel e, portanto, capturá-lo infringia leis locais e internacionais. Segundo, Harel precisava ocultar seus planos dos membros mais radicais dos Vingadores, que estavam desesperados para matar Eichmann antes que este fosse pudesse ir a julgamento.

Isser Harel viajou para a Argentina para supervisionar pessoalmente a missão com 30 homens fortes da equipe. No dia 11 de maio, um agente do Mossad agarrou Eichmann e o arrastou para um carro, dizendo: “Se não ficar quieto, vai levar um tiro”. Os agentes esperavam que o monstro nazista fosse mais sinistro e arrogante, mas ele se mostrou apenas uma pessoa assustada que prontamente admitiu sua identidade. Uma semana depois, o nazista foi drogado e contrabandeado para fora da Argentina em um avião El-Al.

Em 1961, foi julgado em Israel, em um julgamento transmitido pela TV. Eichmann foi condenado por crimes contra a humanidade e enforcado.

Seguiram-se os protestos esperados da Argentina, e vários advogados ficaram indignados pela ação ilegal. Para se distanciar da ação, o Mossad atribuiu a maior parte do crédito a Simon Wiesenthal, chefe do Centro de Documentação Judaica. Wiesenthal mal esteve envolvido na ação, mas todos se beneficiaram por ele ter assumido a responsabilidade pela captura. A credibilidade de Wiesenthal disparou e ele conseguiu reerguer sua organização, obtendo recursos e fundos para capturar outros nazistas.

Com esta operação, o Mossad conseguiu efetivamente incorporar os Vingadores e eliminar as questões de ambiguidade moral que atingiam o grupo, transformando-se em uma agência clandestina do Estado de Israel. No final, agir nas sombras foi a melhor estratégia, evitando que o mundo se voltasse contra os caçadores de nazistas. A face humana de Weisenthal conferiu respeitabilidade à caça aos nazistas e permitiu que ela continuasse até hoje.