A FUGA DAS FARC
Após nove anos em poder dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o policial colombiano Jhon Frank Pinchao conseguiu fugir de seu cativeiro por dentro da floresta amazônica. Sem saber nadar, ele improvisou uma bóia com uma enorme garrafa de plástico e a amarrou em seu corpo. Então, vencendo o medo, deixou-se levar pela correnteza de rios caudalosos. Praticamente sem água e sem comida, desnutrido e sem rumo, Pinchao passou 17 dias procurando um caminho que o conduzisse a um povoado e, conseqüentemente, à tão sonhada liberdade.
Com uma hora de duração, Fuga das FARC conta a incrível história de sobrevivência de Jhon Pinchao, narrando detalhadamente desde seu plano de fuga de um acampamento na floresta de Vaupés (departamento ao leste da Colômbia que faz fronteira com o Brasil), até seu encontro com um comando florestal da polícia colombiana, em maio de 2007. A produção também conta, em retrospectiva, como Pinchao e outros companheiros se tornaram reféns da guerrilha durante o sangrento ataque à base policial de Mitú, em 1° de novembro de 1998.
Além do depoimento de Jhon Pinchao, o documentário apresenta entrevistas com o ex-senador seqüestrado Luís Eladio Pérez, o diretor da polícia colombiana, general Óscar Naranjo, o ex-guerrilheiro “Camilo”, e o médico Henry Mendoza, que atendeu Pinchao logo após seu resgate.
A produção, realizada em oito meses, recria a agonia e as cenas vividas por Jhon Pinchao, por meio de dramatizações interpretadas pelo ator colombiano José Alberto Cardeño. As seqüências do seqüestro, as caminhadas aos acampamentos das FARC, a vida em cativeiro e mesmo a fuga de Pinchao, foram filmadas em um período de 12 dias (em junho de 2008) na base de “Pijaos” da Polícia Anti-Narcóticos da Colômbia, localizada no município de Chicoral, a cerca de 160 quilômetros de Bogotá. Também foram feitas filmagens nos municípios de Suárez, no rio Magdalena, e várias tomadas aéreas nas regiões de San José del Guaviare e Mitú.
Além de Cardeño, que interpretou Pinchao, as dramatizações contaram com a participação de 30 membros dos comandos florestais da polícia colombiana, e 30 homens da Polícia Nacional.
Assim como Jhon Pinchao, José Alberto Cardeño não sabia nadar e quase se afogou em uma das seqüências gravadas com a bóia improvisada. “Foi um grande susto, apesar de que minha maior dificuldade foi usar as armas de fogo. Eu tenho pânico de armas”, comentou Cardeño, que virou um admirador de Jhon Pinchao depois de interpretar sua história.
Hoje em dia, Pinchao é alvo da guerrilha, devido ao sucesso de sua fuga e à posterior colaboração com a chamada operação “Jaque”, que resultou na recente libertação da ex-candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, e de outros 14 reféns.
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