México, Distrito Federal. Durante quatro anos, entre 2002 e 2006, corpos de idosas assassinadas foram encontrados em suas próprias casas. Todos os cadáveres apresentavam sinais de estrangulamento provocados por objetos que o assassino recolhia na própria cena do crime, como meias e cintos.
As cidadãs idosas da cidade do México viviam em pânico. Qualquer uma poderia ser a próxima vítima. Os investigadores não conseguiam descobrir o autor dos crimes, e com a intensa pressão social e dos meios de comunicação, as autoridades se concentraram em capturar do assassino, chegando a prender alguns suspeitos inocentes.
Diante da necessidade de pistas concretas e da continuidade dos crimes, foi criada uma unidade especial de investigação. Com base no relato de algumas testemunhas, a polícia passou a procurar um travesti ou uma mulher de meia-idade de compleição robusta. O cerco foi se fechando com a descoberta de impressões digitais compatíveis em todos os casos e com a composição de um retrato falado fiel a seus traços faciais: uma mulher forte, atarracada, de meia-idade.
Os investigadores também descobriram seu modus operandi. A assassina se fazia passar por enfermeira ou assistente social, ou oferecia serviços domésticos como diarista. Uma vez dentro da casa da vítima, executava as anciãs a sangue frio e fugia com alguns de seus pertences.
A sorte da “Mata-velhinhas”, como passou a ser chamada pela imprensa, se esgotava. Seu rastro de crimes terminou casualmente, em 25 de janeiro de 2006. Enquanto fugia da casa de sua última vítima, Ana María de los Reyes Alfaro, de 82 anos, a assassina passou pelo jovem que vivia com a anciã na entrada do edifício. Depois de encontrar o corpo, o jovem reconheceu a mulher pelo retrato falado divulgado pela imprensa e a perseguiu. Uma patrulha policial que passava pelo local efetuou a captura da assassina em série.
Seu nome era Juana Barraza Samperio. Ela levava consigo uma bolsa com balas de canela, seu amuleto da sorte, uma ferradura e também uma pequena placa metálica com seu apelido dos ringues de luta livre: “A Dama do Silêncio”.
Juana Barraza Samperio, a Mata-velhinhas, foi condenada em março de 2008 a 759 anos de prisão pela morte de 16 mulheres idosas e 12 roubos qualificados. Barraza negou todos os crimes, com exceção do último. Mas acredita-se que tenha assassinado mais de 40 idosas entre 1999 e 2006.
Em sua confissão, ela reconheceu:"Eu odiava as senhoras porque minha mãe me maltratava, ela me batia e sempre me xingava. Um dia, ela me ofereceu a um senhor em troca de três cervejas. Fui abusada, e por isso, odiava as senhoras”.