IRAQUE NA ESPANHA
O auto de acusação contra os 29 indiciados pelos atentados praticados em 11 de março, de 1.471 páginas, destaca que em diferentes setores islâmicos radicais “não se descartava que alvos espanhóis fossem atacados por grupos terroristas devido ao apoio aos EUA no confronto armado contra o Iraque”.
A acusação também inclui uma longa análise das motivações inspiradas pela “jihad” dos membros destes grupos radicais islâmicos: “Os integrantes destes grupos não se sentiam membros da sociedade espanhola. Para eles, sua comunidade de referência seria a dos ‘mujahidin’, os combatentes muçulmanos”, avalia a acusação.
Depois do 11 de março, os espanhóis se uniram para lamentar as vítimas e repudiar o terrorismo, mas não apoiaram seu governo, como aconteceu nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.
O Partido Popular de Aznar pagaria um preço político pelo descontentamento da população, e foi derrotado nas eleições gerais ocorridas três dias depois dos atentados.
A maioria dos cidadãos espanhóis que, segundo pesquisas, estava disposta a renovar o mandato do Partido Popular, repudiou a tentativa do governo e Aznar de incriminar o movimento separatista basco ETA pelo ataque. Segundo os especialistas, a tendência se modificou e os eleitores deram a vitória aos socialistas liderados por José Luis Rodríguez Zapatero.
O líder socialista, que havia criticado a intervenção no Iraque, ordenou a retirada das tropas espanholas ao assumir como presidente do governo, substituindo Aznar.
Mais tarde, a Grã-Bretanha também sofreria uma retaliação por sua intervenção no Iraque: 16 meses depois do 11 de março espanhol, o país tornou-se alvo de outros terroristas islâmicos, que cometeram uma série de atentados contra a rede de transporte de Londres, deixando 56 mortos e 700 feridos. O ataque de 7 de julho de 2005 na capital britânica foi o mais mortífero ocorrido na cidade desde a Segunda Guerra Mundial.
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