O programa entrevista um dos principais médicos que cuidou da saúde dos mineiros, Jean Romanogli, que também era responsável por treiná-los para as dificuldades da retirada em si. Muitos procedimentos foram fundamentais:
Muitos procedimentos foram fundamentais para garantir a saúde dos trabalhadores:
1) Ar
Dentro da mina, os níveis de oxigênio eram constantemente monitorados. Sondas eram enviadas constantemente por meio do sistema “paloma”. Enquanto uma descia por 24 horas para monitorar as condições do refúgio, a outra subia para análise. Quando chegava à superfície, era levada ao escritório da ACHS (Agência de Segurança do Chile). O sistema de computadores da ACHS permitia que os especialistas monitorassem as condições ambientais subterrâneas, verificassem a presença de gás venenoso, umidade, temperatura, níveis de oxigênio e de dióxido de carbono. Simultaneamente, ar limpo e fresco era bombeado para a mina durante 8 horas por dia. Um compressor na superfície levava o ar 800m para baixo de maneira vertical – fazendo um som de respiração assustador: Era o som de 33 homens esperando, e sobrevivendo.
A bomba de ar também realizava outra tarefa fundamental: resfriar o refúgio. As condições no fundo eram em torno de 30oC, com quase 100% de umidade - perigosamente quente e molhado, o que aumentava o risco de pneumonia e outras infecções nos mineiros. Ao resfriar o suprimento de ar em 3oC, os técnicos conseguiram diminuir a temperatura no refúgio em 5oC. Filmamos os dois processos e entrevistamos os homens responsáveis.
2) Água A pedidos, uma vez por dia, a água limpa era bombeada para baixo no mesmo duto “paloma” usado para o ar. Os mineiros ligavam para a superfície e pediam que a torneira fosse aberta.
3) Comida
Depois dos sintomas iniciais de desnutrição terem sido tratados com géis de glicose e produtos energéticos, a alimentação se normalizou. Devido ao risco de infecção, as refeições eram imediatamente embaladas a vácuo e congeladas. Comboios de caminhões entregavam a comida diariamente no local, onde era aquecida a 80oC, e em seguida (ainda embalada) inserida no tubo. Quando chegava aos homens, a comida já teria esfriado a 60oC – a temperatura adequada para comer.
4) Remédios
Os médicos na superfície ficaram surpresos quando souberam que todos os mineiros gozavam de boa saúde. Questões secundárias foram tratadas por um grupo de médicos na superfície do duto. Os mineiros mostraram seus sintomas por vídeo, e as fitas foram enviadas à superfície. Os médicos então fizeram os diagnósticos e prescreveram remédios adequados. Os problemas mais comuns eram dores de dente e problemas de pele, mas não havia nenhum risco de infecção. Qualquer vírus ou bactéria que chegasse ao refúgio certamente poderia infectar todos os homens dentro de 24 horas. Por esse motivo, tudo que era enviado para baixo deveria ser esterilizado. Uma infecção transmitida por um trabalhador na superfície poderia ser fatal para todos os mineiros presos.
5) Psicologia
A fim de manter a sanidade dos mineiros, era crucial monitorar o estado mental dos homens soterrados. Foram estabelecidas rotinas para o dia e para noite, a fim de preservar seus relógios biológicos. Os parentes eram instruídos antes de falar com os homens, para prevenir que contassem más notícias que poderiam desanimar os mineiros. De acordo com Romanogli, a esperança era a arma mais perigosa na luta pela sobrevivência. Por esse motivo, enviavam cigarros regularmente – talvez o único momento que em médicos tenham instruídos seus pacientes a não parar de fumar.
Brasil (em Português)