Três horas depois do desmoronamento, os proprietários da mina San José informaram ao governo chileno que havia acontecido um acidente. O ministro da Mineração chileno, Laurence Golborne, voou para o Atacama para assumir o comando. Profissionais de resgate foram enviados para tentar localizar os homens desaparecidos – ou seus corpos. Mas outro desmoronamento próximo à superfície impossibilitou a busca.

Os mineiros, se estivessem vivos, agora estavam sozinhos, no escuro, a 700 metros da superfície.

Enquanto a equipe de resgate pensava no próximo passo, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, interrompeu a visita à Colômbia e voltou ao país. Enquanto isso, funcionários da minha usaram brocas de perfuração para fazer dutos de sondagem na montanha. Esses dutos, de cerca de 13 cm de diâmetro, deveriam encontrar bolsões ocultos onde os mineiros poderiam ter se abrigado.

Não conseguiram.

É muito difícil perfurar um duto de 13 cm de diâmetro em 800m de granito. A rotação da ponta da broca faz com que a eixo se curve, tornando quase impossível perfurar em linha reta: para onde quer que a perfuradora fosse direcionada, acabava se desviando para outro lugar.

Além disso, ainda não se sabia onde fazer a perfuração. San José possui aproximadamente 10 km de túneis subterrâneos. Onde os mineiros estariam?

Enquanto a equipe de perfuração tentava, sem sucesso, localizar os homens desaparecidos, havia uma grande movimentação na superfície. Os familiares dos mineiros começaram a aparecer e a exigir notícias de seu paradeiro. Recusaram-se a ir embora e montaram um acampamento, que chamaram de Esperanza (esperança). A mídia chilena chegou para noticiar a situação. A esperança de que os mineiros ainda estivessem vivos foi diminuindo lentamente durante as duas semanas seguintes.