Eles sentiam-se afortunados. Com a expansão da indústria do cobre, o minério alcançava preços recordes no mercado internacional. Como o Chile era o maior exportador mundial do metal, eles estavam ganhando 350 dólares por semana.
Mas não era o suficiente.
O alto preço do cobre levou à pressão por manter as minas abertas, mesmo com relatórios de segurança duvidosos. San José foi palco de diversos acidentes fatais nos últimos anos. Fiscais entravam e saíam, sem maiores consequências. Logo após um acidente fatal em 2008, a mina permaneceu fechada durante um ano. Aparentemente, o fechamento estava relacionado com as escadas de emergência. No entanto, ela foi misteriosamente reaberta. O problema, como garantiram aos líderes sindicais, havia sido resolvido.
Mas não foi.
Os 33 trabalhadores se reuniram para o turno da noite na entrada da mina de San José. Trocaram algumas palavras, reuniram seus equipamentos e então começaram a descida sinuosa pelo interior da mina. Duas horas depois, chegaram a seu destino, um local de perfuração a 1.600 metros de profundidade, e começaram a cavar.
Todos sabem o que aconteceu em seguida.
Às 7 horas do dia 5 de agosto, o teto de um dos níveis superiores da mina – 400 metros abaixo no nível do solo – desabou, fechando a saída. Quando a poeira se dissipou, os mineiros discutiram suas opções. Eles sabiam que havia uma escotilha de salvamento, equipada recentemente com escadas de segurança. Os homens caminharam com dificuldades por quase três quilômetros até a escotilha, mas descobriram que as escadas não haviam sido instaladas.
Os 33 homens estavam presos a 800 metros de profundidade, sob o deserto mais árido do mundo.
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